Sempre cruzo aquela esquina nas noites de outono, quando o vento frio arrasta as folhas secas pelas calçadas.
As luzes amarelas dos postes criam sombras longas que me fazem lembrar das nossas caminhadas despretensiosas. Você costumava puxar o casaco e se abrigar no meu abraço, rindo de qualquer bobagem. O tempo passou, a cidade mudou os seus letreiros luminosos, mas o eco dos seus passos ainda parece ressoar no concreto. Escrevo esta crônica não com tristeza, mas como quem guarda um relicário precioso de um inverno em que fomos a chama mais quente daquela avenida.