Entre Vidros Embaçados

A tarde de sexta-feira em São Paulo sempre carrega um peso cinzento, uma névoa de cansaço que se acumula sobre os ombros de quem sobrevive à rotina dos grandes escritórios. Eu estava estacionado a poucos metros do imponente edifício espelhado onde Paula trabalhava, na região da Avenida Paulista. O motor do carro vibrava em um compasso baixo, quase como um sussurro que acompanhava o ritmo acelerado do meu próprio coração. O trânsito já começava a se desenhar como uma serpente de metal e faróis vermelhos ao longe, mas a minha mente não estava nas avenidas travadas. Toda a minha atenção estava voltada para a porta giratória de vidro do prédio comercial. ...

June 30, 2026